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A chave e eu 2

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Tipo: Blog

Categorias: fotografia, textos

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Quem me conhece sabe que gosto de chaves e a um tempo atrás escrevi um post chamado “A Chave e Eu” sobre como começou essa minha relação com estes objetos. A partir daquele momento adquiri de maneira bem clara na minha vida a chave como símbolo para as escolhas e pautei bastante ideias sobre escolhas.

Faça suas escolhas
Faça suas escolhas

A primeira idéia que sempre nos vem a respeito disso, é que somos livres para fazer nossas escolhas. Cheguei a representa-la por um bom tempo na página inicial do meu portfólio. O grande problema por trás dessa frase é que realmente fazer nossas escolhas é algo extremamente complexo, que na verdade sempre se oculta por trás de várias incertezas, valores morais e valores desconhecidos. Mas ter a consciência de que podemos faze-las é essencial para o início de uma possível libertação. O que me leva uma outra abertura do meu portfólio, com uma frase de Fernando Pessoa, apropriada por Caetano Veloso e apropriada por mim representada abaixo:

Navegar é Preciso
Navegar é Preciso

O verso completo é “Navegar é preciso, viver não é preciso” que nos remete a vários questionamentos. Mas o que me fica na primeira parte e que cabe a esse texto é o significado de que é preciso navegar, é preciso se movimentar e todo movimento parte de uma escolha.

Dentre as diversas frases sobre escolhas que já me permearam os pensamentos, uma que sempre bate a porta é a máxima que já foi usada em diversos lugares (muito deles duvidosos):

“A cada escolha uma renúncia”

Que reduz a nossa vida a um binarismo eterno, e isso é de certa forma assustador e entristecedor. E foi em uma conversa lúcida com meu irmão mais velho em que ele me disse a frase que vem para compor junto com a anterior:

“Escolhas não são sentenças”

E agora com essa segunda frase que o código fica mais claro. Nossa vida passa sim por escolhas binárias, que resultam em mais escolhas binárias e assim vai em uma forma tão complexa que todas as escolhas podem ser feitas, refeitas e nenhuma delas será o definitivo caminho. Uma escolha não é apenas uma renúncia mas sim também uma porta para novas escolhas.

É importante saber então que nossa vida é sim feita de escolhas, mas nunca poderá ser imutável. Somos mutantes enquanto seres vivos.

Duas Chaves
Tatuagem desenhada pelos meus queridos irmãos

7 comentários em “A chave e eu 2

  1. Gostei muito de sua reflexão. . Faço uma observação sobre as renuncias.. renunciar é preciso quando te faz ser vc.. levo isso pra sempre.. “negue-se a si mesmo” Jesus Cristo. Grande abraço meu grande amigo melhor Designer do mundo!!!

    1. Rodrigo, concordo com os pesos e importâncias das renúncias. Até por que renúnciar é também uma escolha e é uma das mais difíceis!
      Abraço camarada!

  2. Eita, não foram poucas, mas alguns textos seus são muito mais memoráveis pra mim…todos aqueles que estão permeados com sua vida, com sua experiência, com sua essência.

    “O seu suor é o melhor de você”

  3. Guilherme

    há tempos tive vontade de escrever um texto sobre como vamos acumulando chaves ao longo da vida. Depois de seu post das tatoos,
    o desejo ganhou forma.

    Abracos,

    Puga

    0—–“-“-”

    um menino, um dia, nasceu
    os dias correram e ele cresceu
    ganhou sua primeira chave – a do seu quarto
    fez escola e ganhou a segunda- a do seu armário
    começou a namorar e desta vez
    outra chave ganhou – a de sua casa
    saiu da escola arranjou um trabalho
    mais uma chave veio então – a de sua mesa
    terminou o namoro, começou outros
    sai do trabalho, arranjou outros
    não demorou e outra chave conquistou – a de seu carro
    acabou a faculdade e comecou seu ultimo namoro
    foi quando conquistou outra chave – a do seu escritório
    os verões corriam ligeiro e
    com eles outra chave veio – a de sua casa
    conquistada com sua companheira
    que lhe trouxe os filhos também
    com os outonos se somando
    outras foram chegando
    – de outros carros
    – de outras casas
    – agora também de algumas fabricas
    mais foi num inverno que a ultima chave ganhou
    esta, nunca chegou a vê-la
    esta, nunca chegou a tocá-la
    seu som, apenas reverberou
    em sua, também, ultima sala
    – a do sepulcro.

    “-“-“—-0

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